A profissão
de cientista figura como estratégica para o desenvolvimento
econômico de um país. Ao lado do IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano), há outro índice adotado
pela UNESCO para medir a qualidade de vida de uma nação:
o IAC (Índice de Alfabetização Científica),
que se refere à proporção de cientistas e pesquisadores
em relação à população escolarizada.
A importância desta relação não é
simplesmente numérica, mas as estatísticas mostram
que o nível de desenvolvimento de um país está
diretamente relacionado ao investimento que é feito em pesquisa
e, conseqüentemente, em tecnologia e inovação,
levando à consolidação de sua soberania como
país em todas as áreas. No entanto, o Brasil necessita
multiplicar por 10 o índice atual para alcançar níveis
compatíveis com os de um país desenvolvido.
Vários países possuem políticas públicas
para o incentivo e fomento dos jovens interessados na profissão
de cientista, pois estão cientes dos significados de um bom
IAC nacional. Neste contexto, o Brasil possui um dos programas de
maior sucesso na formação de novos cientistas/pesquisadores:
o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica,
criado pelo CNPq em 1990 e mantido até hoje, em parceria
com as Universidades. A UFSC, antecipando tal ação,
iniciou o estímulo às atividades de pesquisa entre
seus estudantes de graduação alguns anos antes, com
o Programa de Bolsas de Iniciação à Pesquisa
(BIP), cujo histórico encontra-se nesta edição,
que marca os 15 anos oficiais da Iniciação Científica
em nossa instituição.
A Iniciação Científica (IC) é um instrumento
de formação não só de novos pesquisadores,
mas de uma nova mentalidade nos estudantes de graduação:
a de que se pode duvidar sempre (no bom sentido, é claro)
da informação recebida, “embrulhada para consumo”,
buscando novos conhecimentos, desenvolvendo um espírito crítico
e criativo. Em termos práticos, a IC permitiu o recrutamento
maciço de jovens para as atividades de pesquisa e uma redução
drástica no tempo de formação de recursos humanos,
direcionando novos talentos para a pós-graduação
(mestrado e doutorado) e fazendo com que nossa produção
científica em todas as áreas do conhecimento aumentasse
em progressão geométrica, colocando o país,
e a UFSC, no cenário científico internacional.
O fazer Ciência, pesquisar, é uma atividade lúdica,
apesar das normas e regras a serem seguidas. A característica
mais marcante do pesquisador, seja ele o orientador ou o aluno de
Iniciação Cientítica ou Pós-Graduação,
é o entusiasmo com a sua atividade de pesquisa, pois é
este entusiasmo que mantém viva a chama da paixão
na busca de novos conhecimentos e, portanto, a “roda”
da Ciência e da Vida. Assim, tenham prazer em fazer Ciência,
tendo em mente o quão importante é esta atividade
para a nossa instituição, para o nosso país
e para a humanidade.
Prof. Lúcio
José Botelho
Reitor
No entanto, lembramos que o espírito científico não
é inato;
é conquistado ao longo de toda a nossa vida, à custa
de esforço, dedicação e exercícios.
Assim, o gênio é composto por 2% de talento e por 98%
de perseverante aplicação.
(Ludwig van Beethoven)